Entry: sorrir. Thursday, December 09, 2004



   Saí de casa, com uma camisola de lã e o meu casaco de lã azul. Merda! a aula já começou, vou ter outra falta... mas também, eu não me preocupo com isso. Não me interessa. Penso se vou apanhar o autocarro ou se vou a pé, penso se fumo um cigarro ou se guardo mais um no maço que está na minha mochila, o autocarro passa, já o perdi, não faz mal, já estou atrasado e gosto deste caminho, não sei porquê mas gosto... Abro a mochila, abro o maço de cigarros e tiro um cigarro, mas ao tirá-lo ele parte-se- Merda!- hoje tou com azar... não interessa, também isto não interessa, parto o cigarro em dois e ponho a parte, supostamente, inicial presa ao filtro e acendo- Ainda bem, dá para fumar...- continuo o andar, viro para as arcadas onde tanto gosto de andar quando estou contente e continuo a andar, um bocado desligado do mundo e a pensar no cigarro que estou a fumar. Continuo sempre a andar em frente até que oiço uma flauta, e de repente passa por mim um velho a tocar flauta. Bonito, parece que faço parte dum filme... continuo a andar e acabo o cigarro.
   Hoje sinto-me capaz de dar um sorriso, não por estar contente ou feliz, nada disso, apenas porque ontem senti, embora pouco, muito pouco, mas o suficiente. Foi bom, foi bom voltar a sentir alguma coisa dentro de mim, foi bom saber que estou vivo. Ontem senti através de pessoas, senti através do verde, da praia, da música, das falésias, dos arbustos, árvores, pássaros, ontem senti-me capaz de sentir através do maravilhoso concerto das ondas que se ouvia de cima duma falésia, enquanto o sol se escondia por detrás de uma grande rocha na forma de um navio afundado. Foi bom, precisava da natureza para me relembrar da minha natureza, do meu mundo que era verde e que agora está tão perto de desaparecer. Ajudou-me a ter uma pena de esperança, só para saber que talvez ainda possa acordar, talvez ainda possa respirar livremente para o mundo que me criou e conseguir ser eu de novo. Andar entre a florestação enquanto o sol vai descendo, mas como ainda está alto deixa entrar raios de sol que enchem o meu coração de vida, vida temporária, mas ainda assim vida.
   Deitar-me na areia enquanto fumo um cigarro e olho para o sol, sentar-me à beira de uma falésia a ouvir o mar e ver o sol a descer, andar e andar, respirar e especialmente... rir.
   Continuo a andar, agora já sem cigarro na mão, vou pelo descampado que tanto gosto, nunca percebi porquê, mas sinto-me em harmonia com ele. Saí do descampado, desci a rua e entrei na escola, só para mais uma tarde lá passada, só para mais uma aulas... mas isso não interessa, isso também não interessa, não interessa porque naquele momento só me interessava os sorrisos que hoje sou capaz de dar, por ter voltado a sentir ontem.

(obrigado Rosa*)

/me on pluto- algo teu (hoje vou vê-los :D)

   4 comments

Ana Rita
January 3, 2005   02:50 PM PST
 
Adoro a forma como escreves...
*!* FëR *!*
December 12, 2004   09:40 AM PST
 
Se você acordou, já é um sinal, sinal de que Deus te deu mais um dia, com mais diversar obrigações a fazer. Se hoje você ainda esta aqui, é porque ainda não fez tudo o que tem a fazer. Viver, é um jogo, onde você faz suas escolhas. Apartir do momento, que você sentir tudo que existe, falar todas as palavras, achar todas as respostas para suas dúvidas, nesse dia, aqui você não estará mais! Pois aqui é uma surpresa! Você vive, de coisas boas, mas muitas ruins também! Ir a escola é chato, mas é uma obrigação, fumar é um erro, mas é uma escolha sua! E assim é a vida, aproveita ela, agradeça sempre, por estar aqui mais um dia! Ria muito hoje! Porque amanhã você pode não estar nesse lugar, que pra mim, chamado "Paraíso"! Bjooo!
Rita
December 10, 2004   07:57 AM PST
 
:)
C.
December 10, 2004   07:04 AM PST
 
gostei deste post. lembra quase um filme francês. mt bom rodrigo...

(grande sorte pluto... :X e eu aki... bah...)


***
C.

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